Dinossauros Saem à Rua atrai milhares de pessoas à Lourinhã

30-08-2017
Dinossauros Saem à Rua atrai milhares de pessoas à Lourinhã
Milhares de pessoas passaram pela Lourinhã nos dias 11, 12 e 13 de agosto para participarem no evento Dinossauros Saem À Rua. Com um programa atrativo e 20 modelos de dinossauro à escala real, a Lourinhã consolidou ao longo destes dias o seu estatuto como Capital dos Dinossauros.
Foram muitas as famílias que passaram pelo recinto do evento, que proporcionava aos visitantes atividades para todas as idades. O Laboratório Ao Vivo e o espaço Paleontólogo Por Um Dia foram dos mais visitados e nos quais miúdos e graúdos divertiram-se a procurar fósseis, em escavações, pinturas e muitas outras atividades.
O evento tinha ainda o GEAL-Museu da Lourinhã aberto em permanência e de acesso livre para todos os que adquiriam a pulseira diária, que dava ainda a oportunidade de visitar o Pavilhão Lourinhanosaurus (Pavilhão do Hóquei Clube da Lourinhã) e o Centro Draconyx (Galeria Municipal). O Pavilhão Lourinhanosaurus era dos espaços que reservava mais surpresas aos visitantes, dando a oportunidade de participar em diversos ateliers, assistir a projeções 360º Dome Cinema e de ver ao vivo O Maior Ninho de Dinossauros em Chocolate do Mundo. No Centro Draconyx esteve em permanência a exposição “As Melhores Ilustrações de Dinossauros” e era onde podia ainda assistir-se a várias microconferências. A AMAL recebeu ainda a conferência mais aguardada, de Octávio Mateus, e que propunha aos presentes uma viagem “Na Pegada do Dinossauro”.
Além de todas estas atividades, os dinossauros fizeram-se acompanhar nas ruas da Lourinhã por uma mostra de artesanato, na Rua João Luís de Moura, e ainda por insufláveis, um espaço de Caça ao Ovo e um espaço de Street Food, que veio dar à Lourinhã um sabor mais requintado.
Os Dinossauros Saem À Rua eram um sonho antigo de algumas entidades locais, que aproveitaram a vinda do Parque de Dinossauros da Lourinhã (PDL) para dar outro encanto a esta ideia. Todas os modelos à escala real foram gentilmente cedidos pelo PDL, que irá abrir portas no início do próximo ano. Até lá, faz-se um balanço deste evento com as entidades promotoras: Município da Lourinhã, GEAL-Museu da Lourinhã e União de Freguesias de Lourinhã e Atalaia.

ENTREVISTA A LUBÉLIA GONÇALVES, DIRETORA DO GEAL-MUSEU DA LOURINHÃ

Boletim Municipal Lourinhã (BML) - Que balanço faz do Dinossauros Saem À Rua?
Lubélia Gonçalves (LG) - Numa primeira abordagem, ainda com o evento a decorrer mas já no final, o balanço que faço é altamente satisfatório. Do nosso ponto de vista, conseguimos de facto colocar os dinossauros na rua. Não só porque os dinossauros estão cá, estão na rua, mas porque o Museu abriu portas no sentido de trazer grande parte do seu conhecimento para fora. Partilhá-lo de forma muito mais próxima com as pessoas e, por essa via, tornar o conhecimento e a ciência acessível a todos. Estamos naturalmente satisfeitos e orgulhosos pela forma como as pessoas na Lourinhã têm estado a receber este evento. A ideia que temos é que as pessoas da vila estão muito contentes e muito recetivas e isso para nós é altamente gratificante, porque o Museu é uma instituição da comunidade e para a comunidade.

BML – No futuro, qual o impacto que este evento pode ter no Museu?
LG – Pode trazer mais visitas e pode também ter um impacto nos outros fatores económicos a nível local. Penso que temos todos a ganhar. Este é um desafio muito grande que se coloca a todos nós e temos de ser capazes de aproveitar de um modo positivo esta dinâmica que se está a gerar à volta dos dinossauros, que é efetivamente um elemento diferenciador do nosso concelho relativamente a outros concelhos. Nós temos uma riqueza patrimonial a nível natural, mais concretamente a nível da paleontologia, muito grande. Única mesmo em alguns aspetos. E penso que é muito importante que o poder político e os atores locais saibam aproveitar todo este potencial. E aproveitar não significa só utilizar...Quando digo aproveitar, digo com um sentido de responsabilidade. Isto é, nós recebemos um património extremamente importante e interessante e que nos ajuda a perceber o nosso lugar na Terra, e temos de perceber que recebemos esse património e temos, por isso, a obrigação de o saber preservar, mas também temos o direito de usufruir dele. E é exatamente nesta relação algo dialética, destas duas dimensões, que está a responsabilidade de cada um, a nível individual e das instituições, e que nos pode ajudar a efetivamente utilizar e beneficiar daquilo que temos, sem esquecer que atrás de nós vêm outros...Vêm outras gerações que têm também esse direito.

BML – Há alguma curiosidade das pessoas em relação ao Parque de Dinossauros da Lourinhã. O que é que nos pode adiantar do papel do Museu dentro desse projeto?
LG – O Museu celebrou desde o início um protocolo, do qual fazem parte a PDL (empresa detentora do Parque de Dinossauros da Lourinhã), e o Município da Lourinhã. As grandes linhas estão traçadas e percebe-se, por isso, qual é o papel de cada um de nós neste projeto, que é comum e tem efetivamente a intenção de contribuir para o sucesso do Parque mas tem também a preocupação de contribuir para o desenvolvimento da Lourinhã.
Relativamente ao Museu, em concreto, vamos passar a ter dois núcleos museológicos. Um irá ficar localizado no Parque de Dinossauros da Lourinhã, onde iremos ter a nossa coleção principal de paleontologia, com todos os nossos holótipos – todos os nossos fósseis e réplicas – e manteremos um núcleo aqui na nossa sede, no centro da vila, onde temos para já uma coleção muito importante na área da etnografia e da arqueologia. Naturalmente que o modelo está a ser repensado à luz destas alterações, que se traduzem na concretização de um velho sonho de conseguirmos ter condições de espaço condignas com a relevância e importância da nossa coleção de paleontologia. E isso nós acreditamos que vai acontecer, agora temos naturalmente que aproveitar a oportunidade para reequacionar toda a atividade do Museu. Para nós, esta situação é uma oportunidade e um grande desafio.

ENTREVISTA A FERNANDO OLIVEIRA, VEREADOR DO MUNICÍPIO DA LOURINHÃ

Boletim Municipal Lourinhã (BML) -
Que balanço faz do Dinossauros Saem À Rua?
Fernando Oliveira (FO) – Esta iniciativa teve de facto um impacto muito positivo a nível da captação de visitantes para a Lourinhã. Foi um fim-de-semana prolongado com milhares de pessoas a passarem pela vila e que se projeta ainda em termos futuros, porque esta temática dos dinossauros não se esgota e a abertura do novo Parque de Dinossauros da Lourinhã (PDL) vai ajudar a manter o interesse. A presença destes 20 modelos à escala real, permitiu ainda manter o interesse das pessoas, não só durante o evento, mas também ao longo dos dias seguintes. E isso viu-se, com visitas permanentes, sobretudo de estrangeiros e pessoas de fora da Lourinhã. Aliás, estas visitas começaram em março, com a chegada dos primeiros sete modelos, e ganharam ao longo deste evento outra dimensão.

BML – Como é que surgiu a ideia de criar este evento?
FO – Os Dinossauros Saem À Rua era uma ideia já antiga. Chegou a ser esboçada e trabalhada com as escolas e alavancada pelo GEAL – Museu da Lourinhã, mas foi agora com a possibilidade de conjugar esta iniciativa com a abertura do PDL que existiu capacidade de realização. A cedência dos modelos à escala real por parte da PDL foram um ponto fulcral e deixo, também por isso, um agradecimento especial.

BML – Este evento surgiu de uma parceria de várias entidades?
FO – É verdade! Surgiu de três entidades: Município da Lourinhã, GEAL – Museu da Lourinhã e União de Freguesias de Lourinhã e Atalaia. Cada um, na sua área, deu um contributo extremamente importante: o GEAL – Museu da Lourinhã numa disponibilização de todo um conjunto de conteúdos pedagógicos e científicos. O Município da Lourinhã dando sobretudo um apoio financeiro e alguma capacidade de produção, a nível de meios de comunicação e de divulgação.
E a União de Freguesias de Lourinhã e Atalaia ao nível do apoio logístico, na montagem e desmontagem de todos os equipamentos.

BML – Existe alguma expetativa da população para saber se o evento se repetirá e o que vai acontecer aos modelos de dinossauros espalhados pela vila...
FO – Foi um evento que teve uma repercussão muito positiva e que abre caminho à possibilidade de esta temática dos dinossauros, em próximos anos e de uma forma regular, voltar aqui à vila. Quanto aos modelos, em princípio irão para o Parque de Dinossauros, mas o que não quer dizer que este projeto Dinossauros Saem À Rua não possa ser reinventado e há que começar a trabalhar nesse domínio. Estamos a ver se alguns modelos, em número muito limitado, podem ficar na Lourinhã...mas é algo que está ainda a ser estudado. Mas aconteça o que acontecer, a Lourinhã será sempre reconhecida como a Capital dos Dinossauros e este evento não será efémero, será para continuar.

BML – Este evento serviu de rampa de lançamento para a abertura do Parque de Dinossauros da Lourinhã e há alguma expetativa da população em relação a este projeto e a como irá o Município da Lourinhã reagir. Qual será o impacto no território? O que nos pode adiantar?
FO – Penso que será muito positivo. Nós estamos a trabalhar num conjunto de estratégias que possam ligar o Parque à vila, criando condições de visitação para que quem vá ao Parque venha à vila, e vice-versa. Estamos em vias de começar a colocar no terreno algumas dessas ideias e é nossa intenção, numa fase inicial, captarmos, para a Lourinhã, um mínimo de 10 a 15% de visitantes expectáveis para o Parque. Se esta percentagem de pessoas passar na vila e, de forma regular, faça cá um período de ocupação, de visita e de conhecimento, penso que será um primeiro impacto muito positivo. E depois tudo isto irá criar uma dinâmica própria. Eu estou convencido que o próprio comércio/restauração vai adaptar-se, outras iniciativas vão aparecer. O próprio alojamento vai crescer….

BML – Já existem perspetivas nesse sentido?
FO – Sim, vai abrir um novo Hotel de cerca de 100 camas, no antigo espaço da Escola Agrícola, e a Estalagem junto ao caminho da Praia de Paimogo também vai abrir como aparthotel. Existem ainda outras iniciativas que estão a ser solicitadas à Câmara. Portanto, isto é uma dinâmica que se vai criar. O Parque vai ser uma âncora e essa âncora vai trazer diferentes intervenções e iniciativas, não só para os que já cá estão, e que têm rapidamente também de perceber essa dinâmica e adaptarem-se, como para aqueles que virão instalar-se. O comércio é livre e as possibilidades são livres. Quanto à articulação entre o GEAL – Museu da Lourinhã, Parque de Dinossauros e a vila, nós temos estado em contacto com o museu no sentido de criarmos novas formas de o Museu estar presente. É evidente que uma parte do espólio paleontológico vai para o Parque, mas estamos a trabalhar com o museu no sentido de criarmos novas estruturas e um novo espaço expositivo para manter na vila uma atração de visitação, também ao nível paleontológico. E por isso nós temos vindo a fazer visitas ao Centro de Ciência Viva, temos desenvolvido conversas no sentido de perceber como manter a vila atrativa para o turismo, temos as pinturas do Mestre da Lourinhã, temos o Centro de Interpretação da Batalha do Vimeiro, temos a temática de Pedro & Inês...Ou seja, há um conjunto de iniciativas que vão ser trabalhadas para que quem venha o Parque também possa ter uma visitação do território. Penso que todos podemos estar descansados quanto a este aspeto.

ENTREVISTA A PEDRO MARGARIDO, PRESIDENTE DA UNIÃO DE FREGUESIAS DE LOURINHÃ E ATALAIA

Boletim Municipal Lourinhã (BML) – Como representante de um dos parceiros do evento Dinossauros Saem À Rua, qual o balanço que faz?
Pedro Margarido (PM) – O balanço é positivo e a única coisa que posso adiantar é que a União de Freguesias de Lourinhã e Atalaia estará sempre disponível para colaborar neste tipo de eventos, ou em qualquer outro que tenha relevância para o território da freguesia. Os Dinossauros Saem À Rua acabou por ser extremamente importante para a promoção do futuro Parque dos Dinossauros da Lourinhã, que se prevê que seja uma mais valia para a freguesia e para o concelho. Notou-se também ao longo do evento um acréscimo do número de visitantes na vila, que se manteve nos dias seguintes, graças à colocação dos 20 modelos de dinossauro na Lourinhã.

Voluntariado foi essencial para o desenrolar do evento

O Município da Lourinhã e o GEAL-Museu da Lourinhã uniram-se numa outra “batalha” durante este evento: a angariação e organização de voluntários. O balanço acaba por ser bastante positivo, com cerca de 50 pessoas a colaborarem com todo o Staff ao longo dos três dias.
Divididos por turnos, os voluntários eram distribuídos pelos vários espaços do evento, e ajudavam em praticamente todas as tarefas. Surpreendente foi o facto de o apoio a esta iniciativa ter surgido, não só de pessoas do concelho mas também de pessoas de fora, e praticamente todos prometem voltar a colaborar em iniciativas deste género. É o caso de Nathalie Rodrigues, de 34 anos, que admitiu que o trabalho foi intenso mas enriquecedor:
“São três dias intensos e eu fiz o evento completo, mas é um balanço positivo. O facto de trocarmos de postos e estarmos a lidar com diferentes tipos de clientes e de funções é enriquecedor. Aprendi o outro lado porque normalmente sou eu quem frequenta os eventos e acabei por ter noção de toda a preparação que um evento destes acarreta”, admitiu.

A todos eles, um obrigado!

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